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Política Brasil

Queiroga admite que Bolsonaro interfere no Ministério da Saúde

O seu antecessor, general Eduardo Pazuello, havia confirmado a ingerência do mandatário, resumindo-a numa frase que teve ampla repercussão: “Um manda, outro obedece”.

12/10/2021 12h33
Por: João Luis Gomes Fausto Fonte: Os Guedes
Créditos: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Créditos: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, acabou admitindo, em entrevista, ontem, que o presidente Jair Bolsonaro interfere nas decisões que são tomadas pela Pasta, principalmente em relação a medidas de emergência relacionadas com o combate à Covid-19. O seu antecessor, general Eduardo Pazuello, havia confirmado a ingerência do mandatário, resumindo-a numa frase que teve ampla repercussão: “Um manda, outro obedece”. Na entrevista de ontem, Queiroga não explicou a retirada do parecer contrário ao “kit Covid” da reunião da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) na última quinta-feira, mas admitiu que Bolsonaro interfere, sim, no ministério.

 

– Temos que trabalhar, essa é a recomendação que recebo do presidente. As pessoas dizem: “ah, o presidente interfere”. O presidente interfere, sim, pede que a gente trabalhe, pede que a gente dialogue com a sociedade, faça entregas para a sociedade. Eu vou continuar fazendo isso. Eu sei que estou no rumo certo – acrescentou Queiroga. A declaração foi interpretada, também, como uma resposta às insinuações de que ele estaria demissionário da Pasta da Saúde por divergências da parte do presidente quanto a medidas que tomou. A respeito do parecer, Queiroga disse que foi ele que mandou incluir na pauta da reunião da Conitec, mas saiu pela tangente sobre o que ocorreu, que derrubou o tema às vésperas do encontro.

 

“Eu que incluí na pauta. O professor Carlos Carvalho já falou publicamente. Tenho outras coisas a fazer do que ficar interferindo em comissões do Ministério. Eu tenho que distribuir vacinas para a população – reagiu o ministro, aludindo ao empenho para acelerar o Plano Nacional de Imunização. O pneumologista Carlos Carvalho negou ter sido pressionado pelo governo para pedir o adiamento da análise do relatório. Ele coordena a elaboração de diretrizes do tratamento da covid-19 para o Ministério da Saúde e afirma que o adiamento foi solicitado para incluir novos estudos sobre possíveis tratamentos.

 

Com a CPI da Covid perto do fim e prestes a pedir o seu indiciamento, o presidente Bolsonaro ainda trava sua batalha para defender o tratamento precoce à base de cloroquina, que já foi provado cientificamente ser ineficaz contra a Covid-19. Na reunião da reunião da Conitec na semana passada, ele teria se irritado com o ministro Marcelo Queiroga e mandado retirar da pauta um parecer do grupo de trabalho contrário ao “kit covid”. O relatório comprova a ineficácia dos medicamentos propagados pelo presidente e, caso fosse aprovado, o kit covid e o uso de medicamentos como cloroquina e ivermectina ficaria proibido pelo Ministério da Saúde, contrariando a indicação de Bolsonaro. O presidente avisou que não quer que o governo desaconselhe o tratamento precoce, que seria mais um recuo diante de seu eleitorado mais radical, após baixar o tom nas críticas ao Supremo Tribunal Federal.

 

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